Nossa pesquisa teve início na Fazendinha do Izabela, onde ao escutarmos o Rilton, o“Buiú”, responsável pelo local e morador de Roça Grande, começamos a ter uma primeira impressão deste que seria nosso objeto de estudo. Sua fala e a dos professores deixaram uma imagem da generosidade e disponibilidade de sua população. O diagnóstico deveria ser feito em função das pessoas, através de entrevistas, observações, mas principalmente da nossa capacidade de interagir com elas.Sorteados os temas , sendo os nossos tipologia das pessoas(tipos de roupas, tipos de cabelos, características físicas e idade) e vazios, demos início à nossa caminhada.Descemos o morro da fazendinha e iniciamos a subida ao bairro Rosário 3, fazendo este trajeto marcado no mapa abaixo. Nossos “personagens” desta etapa confirmam a comentada receptividade daqueles que ali moram.
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Inicialmente, encontramos uma rua vazia, sem pessoas ; das casas podíamos ouvir músicas, mas não víamos as pessoas. Daí a pouco avistamos um casal que viriam a ser os nossos primeiros entrevistados.
ENTREVISTADA 1- Enfermeira que trabalha no Biocor. Mora em Roça Grande. Disse que a maioria das pessoas do lugar trabalham em BH. Quando questionamos sobre onde fazia compras de roupas, apresso-se em dizer que ali as coisas eram caras e que tinha preferência por comprar em Sabará ou na capital.
ENTREVISTADO 2 – Cobrador de ônibus da linha Sabará – BH. Disse que nesta linha tem muitos ônibus, mas em Roça Grande não. As pessoas acabam pegando o ônibus do outro lado da ponte. Também compra suas roupas em BH, por ter mais variedade principalmente.
OBS: Eles não quiseram ser fotografados.
ENTREVISTADOS 3, 4,5,6,7,8...
Logo a seguir, encontramos uma turma de crianças onde nos detivemos muito. As crianças se aproximaram ao nosso primeiro chamado e logo começaram uma animada conversa . Algumas das crianças estudavam na Escola Municipal Padre Geraldo e outras na Escola Estadual. Logo de cara observamos que muitas delas usavam umas pulseiras parecidas com “fios de telefone”, que já havíamos visto aqui em BH. Quando falamos sobre as pulseiras elas se apressaram em dizer que tinham muitas mais e foram correndo buscar em suas casas. Tiramos uma divertida foto e elas nos mostraram a vendinha onde elas compravam por “só cinqüenta centavos” como disseram. Ainda em Rosário 3, encontramos com Cristina, uma cabeleireira, que começou a trabalhar com 12 anos. Vai à casa das clientes, trabalhando até no Barro Preto. Disse que o penteado mais pedido são as tranças . Possui três filhos adotados, de uma mesma família que tem nove filhos, os quais foram abandonados pela mãe. Comentou sobre os projetos sociais desenvolvidos em Roça Grande que a ajudam a manter as crianças ocupadas fora do período da escola. Cristina estava acompanhada por uma senhora que nos mostrou uma tiara que faz na Casa do caminho e também disse que compra velas na fábrica que existe na olaria para vender. Segundo ela, o dia bom para irmos lá era domingo, quando a praça estaria cheia...
Seguindo pelo Rosário 3, percebemos que novamente ele se tornava um lugar vazio, ficamos um pouco indecisas quanto ao fato de prosseguirmos, com um pouco de medo do próprio vazio e também dos cachorros; pois se havia falta de pessoas ali, não podemos dizer o mesmo dos cachorros.
Neste ponto, encontramos Júnior que nos mostrou como faríamos para chegar à praça. É uma criança de 09 anos, pai pedreiro e mãe dona de casa, que gosta de morar em Roça Grande e vai com freqüência à BH com o padrinho.
Logo que nos despedimos de Júnior, encontramos Elen, que se denunciou com a maletinha rosa que carregava . Pensamos logo que ela deveria ser manicure e acertamos! Como Cristina, a cabeleireira que vai em casa, Elen também atende a domicílio e conta que o que mais suas clientes gostam é de passar o esmalte “Renda” e fazer detalhes nas unhas, como florzinhas... Pintar com as cores berrantes da moda, nunca! Cobra 5 reais pela unha. Casada, tem um casal de filhos de 3 e 6 anos e gosta de cuidar de uma horta que possui em casa.
Nosso próximo encontro foi com uma jovem de “luzes” vermelhas no cabelo, de 20 anos, que segurava uma criança de nove meses, sua filha. Tinha também outra filha de um ano. Havia estudado em Sabará e agora era dona de casa. Compra roupas em BH porque é mais barato e “faz” o cabelo em Roça Grande no salão do Cleuber. Decidimos procurá-lo.
Antes de chegarmos à praça onde era o salão, encontramos duas crianças em nossa direção contrária carregando um grande pedaço de madeira. Nos disseram que era para o fogão de lenha da avó.
Não podemos de deixar de observar que principalmente quando iniciamos a descida, que não havia calçada e que o espaço na rua era disputado quando necessário, pelos poucos carros ou pelo pedestre.
Avistando a linha do trem, à direita, tinha uns homens retirando pedras do barranco ao lado, pensamos que poderia ser para a execução das contenções que notamos em grande quantidade neste bairro.
Atravessamos a linha do trem e de longe vimos um vendedor de CDs e DVDs piratas. Vale lembrar aqui que a música continuava a ser ouvida por onde passávamos. O vendedor era um senhor muito simpático que mora em Sabará, é pedreiro, e trabalha durante a semana em BH na Fabrimar; e, sexta, sábado e domingos, ali naquele ponto, que ele define ser dele, pois já “fez” o ponto. Segundo ele, vende bem porque o Lula aumentou muito o poder de compra dos pobres e agora todo mundo tem DVD. Compra os CDs no shopping Xavante para revender. Despediu-se dizendo para não chamarmos os “homens”...
Chegamos na praça e na igreja. À princípio não percebemos que o que víamos era a praça, para nós parecia mais uma pequena rotatória. A partir daqui continuamos nosso percurso por Roça Grande, “já no centro”.
Na praça, encontramos o salão do Cleuber . Ele trabalha lá há oito anos e veio do Bairro Cidade Nova, onde também tinha um salão. Não possui uma grande variação no movimento durante a semana e sua maior procura é por corte, pelo qual cobra treze reais. Escova e alisamento vem depois. Antes que perguntássemos algo em relação às carências de Roça Grande, Cleuber se apressou em dizer que uma casa lotérica fazia muita falta ali. Eles tinham que ir a Sabará para pagar qualquer conta. O casal que lá estava se manifestou reforçando esta carência. Ele trabalha no almoxarifado do Hospital da Baleia e ela é diarista em BH. Relataram a violência do lugar e disseram não gostar muito da festa de Santo Antônio, mas comentaram sobre a vinda dos romeiros e sobre o grande movimento que é para cidade. Em relação a roupas, gostam de ir à capital pelo preço e pela variedade. Alícia, outra cliente de onze anos, vai toda semana fazer escova e nos disse que compra La loja Giz Fashion.
Antes de procurarmos esta loja, passamos por outra chamada Arco Íris, a dona, que estava com dengue, nos disse que abre todos os dias menos domingo. Sua loja é a mais antiga e ela compra em São Paulo . O preço das blusas gira em torno de 29,00 e as calças 59,00. Diz que as vendas, são “mais ou menos”.
Quase em frente à loja, no estacionamento da igreja, havia uma unidade móvel da prefeitura de veterinária que de 15 em 15 dias faz a castração de animais de graça. Duas senhoras que lá estavam, Jéssica e Vanilda, comentaram sobre a violência e o tráfico de drogas em Roça Grande.
Já na loja Giz Fashion fomos muito bem recebidas pela Gislaine, dona da loja . Trabalhou como sacoleira por 11 anos e há dois tem a loja. Compra em São Paulo Petrópolis e Divinópolis. O estilo de roupa que mais vende é aquele usado, segundo a mesma, pelas evangélicas, como saias jeans mais compridas ou roupas mais comportadas. É de Roça Grande e disse que o lugar está muito violento; falta segurança.
Terminamos nossa caminhada por Roça Grande, passando em frente ao hospital, ao ginásio poliesportivo, novamente pela praça e igreja da cidade.
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