Ao flanarmos pelo local, percebemos muitos lotes vagos e casas abandonadas.
II – Vazios de Gente
Durante a caminhada no Bairro Rosário três, alternamos entre lugares ermos e com pessoas, mas o que prevaleceu foram os vazios de gente nas ruas , apesar da música e dos cachorros bravos sempre presentes em todas as casas.
III – Vazio de Uso
Um local que teoricamente deveria concentrar pessoas nos surpreendeu com um vazio significativo: a praça. No entanto não podemos afirmar que isso acontece sempre; apesar de que a praça não propicia a sua ocupação, se assemelhando mais a uma rotatória.
Outro vazio de uso que pudemos presenciar foi a linha do trem desativada, onde cavalos, pessoas , vegetação e carros, ocupam o lugar do meio de transporte que poderia suprir uma necessidade da população .
IV – Vazios de Equipamentos Urbanos
Houve uma manifestação espontânea de alguns moradores em relação à falta de uma casa lotérica, um banco e um posto policial. Reclamaram indignados da falta de praticidade de depender da estrutura de Sabará para resolver problemas cotidianos.
V – Vazios de Estruturas de Lazer
Na comunidade de Rosário três, as crianças brincam na rua e nas calçadas, por falta de outros espaços . O único local para lazer que encontramos, foi o centro esportivo que reúne toda a população em dias de jogos.
I - Vestuário: O vestuário da população é em sua maioria constituído de roupas simples, como por exemplo, camisas de malha, bermudas, vestidos, etc. Os habitantes, quando tem a possibilidade de vir à capital, optam por comprar aqui suas roupas, onde segundo seus relatos, os preços são mais acessíveis e a variedade maior. Os lojistas do local declaram que as vendas são boas, nada muito lucrativo. Quase todos fazem as compras para as suas lojas nas cidades de São Paulo, Divinópolis, Goiânia e Petrópolis. Apesar da tradição católica que predomina ou que faz a história da cidade, o que mais vende, segundo a proprietária da loja Giz Fashion são as roupas usadas por evangélicos; saias jeans e vestidos mais compridos.
II - Acessórios Vimos uns acessórios muito comuns entre as crianças neste momento: o uso de pulseiras em espiral, coloridas. Estas pulseiras tem o custo de 50 centavos e são comercializadas nas “vendinhas” locais. Outros acessórios muito populares são as sandálias de plástico com uma flor em cima e as tradicionais havaianas.
III – Cabelos Visitamos um salão e conversamos com uma cabeleireira que vai à casa dos clientes.. Conversando com eles, constatamos que as mulheres e crianças em geral, pedem tranças ou chapinha nos cabelos e os homens, corte “normal”.
IV – Características Físicas e Idade Percebemos uma população simples, em sua maioria afro descendentes e de estatura média. Notamos uma grande quantidade de crianças e jovens adultos. OBS: Observamos durante as entrevistas, jovens mães com idade de 20 anos aproximadamente, que já possuíam pelo menos dois filhos, o que nos leva a pensar que pode haver um índice significativo de gravidez precoce.
Nossa pesquisa teve início na Fazendinha do Izabela, onde ao escutarmos o Rilton, o“Buiú”, responsável pelo local e morador de Roça Grande, começamos a ter uma primeira impressão deste que seria nosso objeto de estudo. Sua fala e a dos professores deixaram uma imagem da generosidade e disponibilidade de sua população. O diagnóstico deveria ser feito em função das pessoas, através de entrevistas, observações, mas principalmente da nossa capacidade de interagir com elas.Sorteados os temas , sendo os nossos tipologia das pessoas(tipos de roupas, tipos de cabelos, características físicas e idade) e vazios, demos início à nossa caminhada.Descemos o morro da fazendinha e iniciamos a subida ao bairro Rosário 3, fazendo este trajeto marcado no mapa abaixo. Nossos “personagens” desta etapa confirmam a comentada receptividade daqueles que ali moram.
Inicialmente, encontramos uma rua vazia, sem pessoas ; das casas podíamos ouvir músicas, mas não víamos as pessoas. Daí a pouco avistamos um casal que viriam a ser os nossos primeiros entrevistados.
ENTREVISTADA 1- Enfermeira que trabalha no Biocor. Mora em Roça Grande. Disse que a maioria das pessoas do lugar trabalham em BH. Quando questionamos sobre onde fazia compras de roupas, apresso-se em dizer que ali as coisas eram caras eque tinha preferência por comprar em Sabará ou na capital.
ENTREVISTADO 2 – Cobrador de ônibus da linha Sabará – BH. Disse que nesta linha tem muitos ônibus, mas em Roça Grande não. As pessoas acabam pegando o ônibus do outro lado da ponte. Também compra suas roupas em BH, por ter mais variedade principalmente.
OBS: Eles não quiseram ser fotografados.
ENTREVISTADOS 3, 4,5,6,7,8...
Logo a seguir, encontramos uma turma de crianças onde nos detivemos muito. As crianças se aproximaram ao nosso primeiro chamado e logo começaram uma animada conversa . Algumas das crianças estudavam na Escola Municipal Padre Geraldo e outras na Escola Estadual. Logo de cara observamos que muitas delas usavam umas pulseiras parecidas com “fios de telefone”, que já havíamos visto aqui em BH. Quando falamos sobre as pulseiras elas se apressaram em dizer que tinham muitas mais e foram correndo buscar em suas casas. Tiramos uma divertida foto e elas nos mostraram a vendinha onde elas compravam por “só cinqüenta centavos” como disseram. Ainda em Rosário 3, encontramoscom Cristina, uma cabeleireira, que começou a trabalhar com 12 anos. Vai à casa das clientes, trabalhando até no Barro Preto. Disse que o penteado mais pedido são as tranças . Possui três filhos adotados, de uma mesma família que tem nove filhos, os quais foram abandonados pela mãe. Comentou sobre os projetos sociais desenvolvidos em Roça Grande que a ajudam a manter as crianças ocupadas fora do período da escola. Cristina estava acompanhada por uma senhora que nos mostrou uma tiara que faz na Casa do caminho e também disse que compra velas na fábrica que existe na olaria para vender. Segundo ela, o dia bom para irmos lá era domingo, quando a praça estaria cheia...
Seguindo pelo Rosário 3, percebemos que novamente ele se tornava um lugar vazio, ficamos um pouco indecisas quanto ao fato de prosseguirmos, com um pouco de medo do próprio vazio e também dos cachorros; pois se havia falta de pessoas ali, não podemos dizer o mesmo dos cachorros.
Neste ponto, encontramos Júnior que nos mostrou como faríamos para chegar à praça. É uma criança de 09 anos, pai pedreiro e mãe dona de casa, que gosta de morar em Roça Grande e vai com freqüência à BH com o padrinho.
Logo que nos despedimos de Júnior, encontramos Elen, que se denunciou com a maletinha rosa que carregava . Pensamos logo que ela deveria ser manicure e acertamos! Como Cristina, a cabeleireira que vai em casa, Elen também atende a domicílio e conta que o que mais suas clientes gostam é de passaro esmalte “Renda” e fazer detalhes nas unhas, como florzinhas... Pintar com as cores berrantes da moda, nunca! Cobra 5 reais pela unha. Casada, tem um casal de filhos de 3 e 6 anos e gosta de cuidar de uma horta que possui em casa.
Nosso próximo encontro foi com uma jovem de “luzes” vermelhas no cabelo, de 20 anos, que segurava uma criança de nove meses, sua filha. Tinha também outra filha de um ano. Havia estudado em Sabará e agora era dona de casa. Compra roupas em BH porque é mais barato e “faz” o cabelo em Roça Grande no salão do Cleuber. Decidimos procurá-lo.
Antes de chegarmos à praça onde era o salão, encontramos duas crianças em nossa direção contrária carregando um grande pedaço de madeira. Nos disseram que era para o fogão de lenha da avó.
Não podemos de deixar de observar que principalmente quando iniciamos a descida, que não havia calçada e que o espaço na rua era disputado quando necessário, pelos poucos carros ou pelo pedestre.
Avistando a linha do trem, à direita, tinha uns homens retirando pedras do barranco ao lado, pensamos que poderia ser para a execução das contenções que notamos em grande quantidade neste bairro.
Atravessamos a linha do trem e de longe vimos um vendedor de CDs e DVDs piratas. Vale lembrar aqui que a música continuava a ser ouvida por onde passávamos. O vendedor era um senhor muito simpático que mora em Sabará, é pedreiro, e trabalha durante a semana em BH na Fabrimar; e, sexta, sábado e domingos, ali naquele ponto, que ele define ser dele, pois já “fez” o ponto. Segundo ele, vende bem porque o Lula aumentou muito o poder de compra dos pobres e agora todo mundo tem DVD. Compra os CDs no shopping Xavante para revender. Despediu-se dizendo para não chamarmos os “homens”...
Chegamos na praça e na igreja. À princípio não percebemos que o que víamos eraa praça, para nós parecia mais uma pequena rotatória. A partir daqui continuamos nosso percurso por Roça Grande, “já no centro”.
Na praça, encontramos o salão do Cleuber . Ele trabalha lá há oito anos e veio do Bairro Cidade Nova, onde também tinha um salão. Não possui uma grande variação no movimento durante a semana e sua maior procura é por corte, pelo qual cobra treze reais. Escova e alisamento vem depois. Antes que perguntássemos algo em relação às carências de Roça Grande, Cleuber se apressou em dizer que uma casa lotérica fazia muita falta ali.Eles tinham que ir a Sabará para pagar qualquer conta. O casal que lá estava se manifestou reforçando esta carência. Ele trabalha no almoxarifado do Hospital da Baleia e ela é diarista em BH.Relataram a violência do lugar e disseram não gostar muito da festa de Santo Antônio, mas comentaram sobre a vinda dos romeiros e sobre o grande movimento que é para cidade. Em relação a roupas, gostam de ir à capital pelo preço e pela variedade. Alícia, outra cliente de onze anos, vai toda semana fazer escova e nos disse que compra La loja Giz Fashion.
Antes de procurarmos esta loja, passamos por outra chamada Arco Íris, a dona, que estava com dengue, nos disse que abre todos os dias menos domingo. Sua loja é a mais antiga e ela compra em São Paulo . O preço das blusas gira em torno de 29,00 e as calças 59,00. Diz que as vendas, são “mais ou menos”.
Quase em frente à loja, no estacionamento da igreja, havia uma unidade móvel da prefeitura de veterinária que de 15 em 15 dias faz a castração de animais de graça. Duas senhoras que lá estavam, Jéssica e Vanilda, comentaram sobre a violência e o tráfico de drogas em Roça Grande.
Já na loja Giz Fashion fomos muito bem recebidas pela Gislaine, dona da loja . Trabalhou como sacoleira por 11 anos e há dois tem a loja. Compra em São Paulo Petrópolis e Divinópolis. O estilo de roupa que mais vende é aquele usado, segundo a mesma, pelas evangélicas, como saias jeans mais compridas ou roupas mais comportadas. É de Roça Grande e disse que o lugar está muito violento; falta segurança.
Terminamos nossa caminhada por Roça Grande, passando em frente ao hospital, ao ginásio poliesportivo, novamente pela praça e igreja da cidade.
O nosso objeto de estudo foi o distrito de Roça Grande, localizado no município de Sabará. O povoamento do local começou nas imediações da Igreja de Santo Antônio, por volta do século XVIII. O nome de Roça Grande refere-se às plantações que existiam na época dos Bandeirantes. De acordo com historiadores, Roça Grande tem profunda importância para a história de Sabará, já que é um dos arraiais mais antigos de Minas Gerais. No período colonial, o local tornou-se parada obrigatória na travessia para o sertão, devido a suas fontes de água pura. Em 1707, o arraial de Santo Antônio do Bom Retiro da Roça Grande, como era chamado, foi elevada a freguesia (título importante para a época). Passado o auge da exploração do ouro, a região passou a ser de grandes fazendas. A partir de 1980, houve um acelerado crescimento populacional na região, por meio da compra de lotes e da invasão de terrenos. Hoje, a regional já possui uma melhor infraestrutura, com ônibus e hospital. O local está recebendo investimento por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), projeto do Governo Federal em parceria com a Prefeitura de Sabará. Na regional, o PAC prevê obras de saneamento e urbanização que afetarão diretamente os bairros Rosário I, II e III. Bairros: Rosário I, Rosário II (Sobradinho), Rosário III e Roça Grande. Condomínio Mangueiras. É importante salientar que, em Roça Grande, destaca-se uma forte presença da igreja católica em atividades sociais e culturais. Na Regional Roça Grande, é notável o número de quadrilhas juninas (quatro) que alegram os eventos do local. O interesse por esse estilo de dança deve-se, principalmente, à importância que as festas juninas, em especial a Festa de Santo Antônio, assumem na comunidade. Esta, com maior participação popular em Roça Grande, acontece durante todo o mês de junho, e a Festa do Cavalo, geralmente em julho. Na Festa de Santo Antônio, Roça Grande recebe milhares de devotos do santo, que vêm desfrutar das procissões, das barraquinhas e das atrações culturais. O prato típico da comunidade é amêndoas com amendoim. Além das quadrilhas, outros tipos de danças, como axé, balé e capoeira têm espaço por lá, totalizando nove grupos nessa modalidade. Mas a arte que apresenta a maior quantidade de grupos na região é, sem dúvidas, a música. Existem 15 artistas / conjuntos musicais em Roça Grande, abrangendo uma ampla diversidade de estilos.